Arquivo da categoria ‘Notícias’

Já em clima nostálgico, o Blog do Insulano procura um desafio para o post histórico da semana: afinal, o que vem a ser a Ponte Nova da Ilha do Governador? E a Ponte Velha? Qual é o motivo dessas denominações, se ambas levam ao mesmo destino? Uma é mais importante que outra? É uma provação responder a todas essas indagações, mas o possível será feito!

O encontro das duas pontes na entrada da Ilha do Governador: a engenhosidade do homem surpreende.

Na década de 40 a Ilha não possuía um acesso terrestre ao continente, como já foi visto em outros textos. Entretanto, com o desenvolvimento local e as bases militares já em pleno funcionamento, houve a necessidade de um acesso mais fácil e constante à cidade do Rio (anteriormente a condição se dava através de navios, que partiam do Porto da Freguesia). Por isso, em 1949 a Ponte do Galeão foi fundada. A ligação era da Ilha do Governador para a Ilha do Fundão. Depois, do Fundão para a Avenida Brasil.

A Ponte Velha (também conhecida como a Ponte do Galeão) foi constrída em 1949 e possibilitou o crescimento da Ilha.

Tal fato foi o que propiciou o crescimento populacional e econômico da então pacata ilha do Rio de Janeiro. A população aumentou de 29 mil habitantes na data citada para 200 mil nos anos 90! Em um primeiro momento, o acesso era feito em apenas uma única pista, que funcionava em mão dupla. 4 anos após a inauguração, outra ponte foi erguida, com o objetivo de estabelecer mãos diferentes e, dessa forma, amenizar o fluxo intenso que já estava começando a se formar na região. É claro que o empreendimento não foi o suficiente para aliviar os engarrafamentos que se estendiam por quilômetros. Com isso, uma nova ponte  foi erguida, dessa vez levando diretamente para uma via de acesso expresso, então denominada como “Linha Vermelha”.

Na base, o acesso para Avenida Brasil. No plano superior, a Ponte Nova no acesso à Linha Vermelha.

Em 1985 a Ponte Nova foi inaugurada em meio a críticas da população do Rio de Janeiro, que alegava ser um gasto desnecessário do dinheiro público. Para a população insulana, considerado um conforto levar 20 minutos para alcançar o Centro da Cidade e a Zona Sul, fato inédito para a história do lugar. Essa comodidade não durou muito tempo, uma vez que todo o fluxo oriundo da Ilha do Fundão segue para o tal “caminho rápido”. Atualmente, ambos os acessos disputam de igual para igual a frequência. Com a aproximação dos grandes eventos esportivos no Rio, outra alternativa foi proposta para amenizar os problemas causados pelo tráfego intenso: uma nova ponte na entrada da Ilha! E essa possibilidade já tem nome… Sim, a Ponte Estaiada já é uma realidade e, em poucos dias, será inaugurada e disponibilizada para a população.

A Ponte Estaiada já é uma realidade e está quase concluída: expectativa de ser o novo cartão postal do Rio.

É fácil se sentir em um emaranhado de concreto quando se passa de condução pelo local. Para os desavisados, inexperientes ou até os mais atentos, chega ser surpreendente perceber as engenhosidades do homem e a complexidade das estruturas. Mérito dos insulanos adaptar-se com tanta naturalidade ao local!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programas de manipulação de imagens.

Em junho de 2010 a área conhecida como “perna seca”, Ala Sul do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (mais conhecido como o Hospital do Fundão), foi completamente desocupada após estalos ouvidos na estrutura do prédio. Na época, a Prefeitura mobilizou um grande esquema para a desativação do local e a interdição da Linha Vermelha, para que uma implosão fosse realizada. Segundo o engenheiro Fábio Bruno, responsável pela empreitada, o procedimento ocorreu sem nenhum imprevisto: “Não houve lançamento de concreto para outras áreas, somente muita poeira”, argumenta.

Após um ano da implosão, entulhos permanecem na localidade, causando transtornos e apreensão.

A intenção da reitoria da UFRJ era construir outra casa de saúde, mais moderna, na região desocupada. O prazo para a inauguração do hospital era para o final de 2011. Entretanto, o que se pode observar atualmente é o espólio da antiga estrutura. O entulho, que chega alcançar dois metros em alguns pontos, até o momento não foi removido pela Prefeitura. A direção do hospital, por sua vez, descarta a abertura de licitações para a venda dos escombros, afirmando que o material é reciclável e que a melhor maneira de reaproveitamento está sendo analisada.

O local transforma-se em criadouro de insetos e propagador de bactérias nocivas para os internados no Hospital do Fundão.

Enquanto isso, focos do mosquito da dengue, ratos e baratas acumulam-se no local. Outro fato que alarma é a poeira acumulada, que ameaça a qualidade do ar e proporciona o alastramento de possíveis bactérias para a área interior do hospital. O prédio foi construído na década de 50, possuía 14 andares e nunca foi utilizado pela instituição. Localizava-se no campus mais importante da universidade, frequentado por 3.500 funcionários, 1.200 alunos de medicina e outros 2.000 alunos ligados a áreas de saúde.

Há alguns meses, o Blog do Insulano esteve na estação das barcas do bairro do Cocotá e encontrou um autêntico cemitério de embarcações. Na verdade, tais veículos eram sucatas e suas peças estavam servindo para as barcas em funcionamento, o que justificava o fato de estarem atracadas no lugar. O problema, como observado anteriormente, é que a água parada acumulada no local é propício foco para o mosquito da dengue, além de demonstrar total descaso das Barcas S/A – concessionária que administra o serviço e é responsável pelo trajeto (Cocotá – Praça XV). A notícia boa é que as barcas, que não estavam sendo capazes de manter-se na superfície, foram removidas e tal comportamento é somente parte do processo de retirada das embarcações deterioradas.

Em setembro, barcas que não conseguiam manter-se na superfície, devido ao estado de degradação.

Somente a barca Visconde de Moraes permanece na estação, mas a administradora antecipa-se e observa que o processo de retirada ocorrerá em, no máximo, 3 meses. Em recente visita ao local, também foi possível perceber que a estação foi remodelada e as placas indicativas foram, quase em sua totalidade, substituídas por outras mais modernas. Outra notícia é que, com o aumento da demanda para o transporte aquaviário, a concessionária está aumentando o número de viagens. Atualmente são 10 viagens diárias em um turno que vai de 06:30h até às 20h. Vale ressaltar que o transporte não funciona aos finais de semana e feriados.

Um mês depois, um visual muito mais limpo. Somente uma barca permanece no local, e já existe prazo para que saia do lugar.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

Feriado de 02 de novembro, Dia dos Finados, e o Blog do Insulano convida para uma viagem, no mínimo, inusitada. Conforme já mencionado em outras oportunidades, é de conhecimento geral que a única necrópole da Ilha do Governador é localizada no bairro do Cacuia. Mas alguém já ouviu falar que esse não é o primeiro cemitério insulano? Sim, isso é fato, e o post procura esclarecer um pouco mais a respeito! O Cemitério do Cacuia data de Janeiro de 1904 e ocupa mais de um quarteirão de todo o bairro. Os muros são baixos e as sepulturas, por mais macabro que possa parecer, estão ao alcance de tudo e de todos. Como é concentrado numa espécie de planície, a superfície e o tradicional Cruzeiro das Almas do mesmo são facilmente observados desde o portão principal, impondo respeito e silêncio.

No alto da planície, a vista de boa parte da Ilha do Governador e uma comunidade que se desenvolve rapidamente.

Anteriormente, os insulanos mais ricos e provedores da Igreja Católica repousavam no bairro da Freguesia, mais especificamente na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. Conta a lenda que nos dias que antecediam o carnaval, uma lista com os nomes de pessoas marcadas para morrer era fixada nos muros do cemitério, nesse momento já estabelecido no local atual. Os mais antigos afirmam que esse fato foi o grande responsável por extinguir a folia do lugar por anos. O curioso dessa circunstância é que a quadra da escola de samba União da Ilha do Governador é localizada metros a frente! Ainda que o cenário propicie meditação e respeito aos mortos, a curiosidade por vezes assola os mais atentos visitantes: os detalhes são surpreendentes!

Antes da transferência a o local atual, os insulanos eram sepultados da Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda, na Freguesia.

Somente para situar, os cemitérios que se conhece atualmente nada mais são que iniciativas impostas pela higiene pública das metrópoles brasileiras. Ainda durante o império (quase um século antes da inauguração do campo santo da Ilha), os corpos dos mais abastados eram sepultados em igrejas ou, quando muito, em áreas nas adjacências dos templos. Mas em tempos de surtos de doenças contagiosas (como a tuberculose e a Doença de Chagas), a permanência de corpos em locais públicos transformava-se em sérios problemas para a saúde dos cidadãos. Com a modernização das cidades e a crescente população, a solução foi estabelecer locais específicos para as cerimônias fúnebres e o repouso eterno. Assim, criou-se o que hoje se conhece como “cemitério”. O primeiro do Brasil, segundo alguns estudiosos, foi construído em províncias de Pernambuco.

O que se conhece como cemitério atualmente, nada mais é do que uma medida urgente para coibir a proliferação das doenças contagiosas, já que os sepultamentos ocorriam nas igrejas católicas.

Muito antes de conceber esses locais com uma aura funesta e mórbida, as grandes nações estimulam a visitação e chegam a incluir os cemitérios nos roteiros turísticos de suas cidades, como acontece em países como França (Père-Lechaise, Paris), Estados Unidos (Forest Lawn, Los Angeles) e Argentina (Recoleta, Buenos Aires). Na verdade, eximindo-se completamente de preconceitos ou crendices, os lugares são verdadeiros museus a céu aberto, com esculturas de renomados artistas e contos que atravessam séculos. A estrutura que certos jazigos demonstram, por exemplo, são referenciais do quanto a sociedade modernizou-se no decorrer de sua história, além de apresentar os costumes dos habitantes mais antigos. Para tanto, o desafio é simplesmente deixar-se envolver pela rica cultura que qualquer lugar do mundo é capaz de propiciar e manter o respeito pelos que já se foram. Como diz uma placa que recepciona os visitantes do São João Batista: “visite-os antes que você se torne a atração”.

Alguns países no mundo utilizam seus campos santos como mais uma atração turística, verdadeiros museus a céu aberto.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

Nas vésperas da inauguração da primeira ponte estaiada do Rio de Janeiro (com o nome provisório de Ponte Norte), o Blog do Insulano esclarece possíveis dúvidas a respeito do assunto. Pra começar, uma ponte estaiada é uma ponte suspensa por cabos, constituída de mastros que, juntos, irão sustentar o tabuleiro da ponte. Além do custo reduzido, possui um forte apelo estético (segundo seu idealizador, Alexandre Chan, a intenção foi lembrar o “biguá”, pássaro típico da região e que foi um dos animais mais afetados pelo derramamento de óleo na Baía de Guanabara, em 2009) e sua construção é muito mais rápida que a de outros modelos. A Ponte Norte, que tem início na Ilha do Fundão, poderá suportar até 20 mil veículos por dia e suas obras operam em alta velocidade, afim de atender aos futuros eventos esportivos, que serão sediados no Rio.

Prestes a ser inaugurada, a Ponte Estaiada descortina-se com pompa de cartão postal, mesmo que ainda incompleta.

O projeto da Ponte Norte faz parte da construção da BRT Transcarioca, rodovia que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional através de uma única via. E uma das principais maneiras de desafogar o trânsito da entrada da Ilha do Governador é desviar parte do contingente oriundo da UFRJ para a ponte estaiada, que sai da Ilha do Fundão e segue em direção à Linha Vermelha, sentido Zonal Sul, com um percurso de pouco mais de 700 metros. Além da ponte, o projeto prevê a dragagem dos Canais do Fundão e do Cunha, ambos afetados pela poluição e péssimo referencial para uma cidade que abrigará eventos tão grandiosos.

A Ponte Norte é a primeira ponte estaiada do Rio de Janeiro, e o projeto ainda prevê a construção de mais 2, na Barra da Tijuca.

No Brasil, outros exemplos notórios são as pontes estaiadas de Brasília (Juscelino Kubitschek) e São Paulo (Octávio Dias de Oliveira e Governador Orestes Quércia), que já são consideradas genuínos cartões postais. No mundo, as mais conhecidas são a Ponte de Millau, que liga a França à Espanha (considerada a mais alta do mundo, com 343 metros de altura), a Stonecutters Bridge (em Hong Kong) e a Sutong Bridge (na China). Pra completar, é claro que o objetivo principal é mostrar ao público vindo do Aeroporto do Galeão os encantos do Rio desde o desembarque, com belas esculturas urbanas e a orla mais exaltada de todo mundo. Promessas ansiadas e muito bem vindas!

* Todas as fotografias presentes do post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programas de manipulação de imagens.

Há algumas semanas a suspeita de envenenamento de centenas de gatos abandonados no Campo de Sant’Ana, no Centro do Rio, trouxe a tona um problema que há anos os insulanos observam de maneira passiva e alheia: o abandono de animais no Cemitério do Cacuia. Tendo a pauta em mãos, o Blog do Insulano compareceu ao local para verificar se, após tantos anos e relatos, o problema permanece. Sem nenhuma surpresa e com extremo pesar, foi fácil identificar, ainda que com o sol a pino e com as cerimônias fúnebres, a presença de animais perambulando entre covas e despachos. Gatos e cachorros circulam democraticamente entre os mortos do Cacuia, transformando o local, desolador por sua própria natureza, em um cenário mórbido, com completo desamparo e descaso.

Os gatos ficam concentrados em um local apelidado de "Palmeirinha", uma árvore no meio dos túmulos.

Segundo relatos de funcionários do local, há alguns anos uma antiga funcionária da cantina do cemitério, Dona Lia, responsabilizava-se de maneira autônoma em cuidar dos animais, ainda que sem verbas ou apoio de terceiros. No início de 2010 Dona Lia falece por conta de complicações cardíacas e, em seu lugar, Dona Marlene, também funcionária da necrópole, assume o posto. “Olha, quem tiver um quilinho de ração pode ajudar a Dona Marlene, qualquer ajuda é muito bem vinda. Alimentar os gatinhos está muito difícil, pois são muitos e, sem castração, reproduzem-se com muita rapidez”, afirma a  dona de casa Laura Abreu, que cuida de 8 felinos oriundos do lugar e mantém um blog com a finalidade de divulgar o problema e encontrar novos donos para os bichos.

Ainda que Dona Marlene cuide muito bem, os bichos são arredios e extremamente desconfiados.

A prática é cultural e presenciada com naturalidade pelos moradores mais próximos. Na lembrança dos casos mais sádicos, afirmam que os despachos realizados no lugar por vezes adotam processos que utilizam requintes de crueldade: “Dona Lia falou, certa vez, que encontrou um galo com as patas, as asas e a cabeça presa com mais de 20 agulhas”, afirma Laura, complementando que, enquanto viva, Dona Lia cuidava dos bichos abandonados em sua própria residência, assumindo o custeio para o tratamento dos mais de 80, gastando uma média de 1.500 reais por mês para mantê-los. Dentre tantos, algumas ainda trazem em seus corpos as marcas da violência: gatos amputados e cachorros portadores de epilepsia completam o fatídico quadro.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

A União da Ilha do Governador anunciou, no último domingo (16/10), a composição vencedora para o carnaval de 2012. A decisão foi divulgada no clube Portuguesa e contou com público entusiasmado, que transformou o início da semana em um prelúdio dos dias de folia. O enredo foi inspiração do Prefeito Eduardo Paes, que desfilou na bateria da escola, da Portela e da Grande Rio, as maiores prejudicadas no incêndio que atingiu a Cidade do Samba, na Gamboa, um mês antes do desfile de 2011.

Por conta das obras de expansão e revitalização da quadra, a escolha do samba foi transferida para o Clube Portuguesa.

O carnavalesco Alex de Souza segue a frente da agremiação e promete repetir o feito desse ano, quando a academia conquistou o prêmio de melhor escola na 40ª edição do Estandarte de Ouro em um desfile de garra e superação. O tema “De Londres ao Rio… Era uma vez uma Ilha” tem como premissa antecipar as Olimpíadas de 2012, que serão realizadas na capital da Inglaterra. Aproveitando o ensejo, procura trazer para os limites tupiniquins a grande competição. Como menciona o samba, “botar molho inglês na feijoada, misturar chá com cachaça e batucar o samba com Rock’n Roll” são ingredientes necessários para incendiar a Sapucaí.

O público entusiasmado transformou o início da semana em uma prévia dos dias de folia.

A letra é oriunda da junção de 2 arranjos dos 4 finalistas, e como menciona os frequentadores do local, mais uma vez a União da Ilha aposta em um “time de futebol” para a consagração na avenida. Ney Filardi, presidente da escola, aproveita a ocasião e completa: “Todas as composições finalistas eram de ótima qualidade, por isso optamos pela junção das 2 obras”. A Ilha será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 20 de fevereiro, e conta com a participação da modelo Bruna Bruno a frente da bateria 40ºcomandada pelo Mestre Riquinho.

* A segunda fotografia do post foi cedida gentilmente por Adriano Caldas, amigo e entusiasta do Blog do Insulano.

Em um domingo de chuvas e ventos, o Blog do Insulano conheceu um pouco mais de história, e aqui apresenta o espólio da atípica ilha… E dessa vez mostra uma outra ilha, mais afastada, mas nem por isso menos importante. A Ilha do Fundão, nas imediações do acesso à Ilha do Governador, concentra 15 campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, junto com os estudantes, acalenta promessas de progresso e superação para todo o país!

O CCS (Centro de Ciências da Saúde) está localizado em frente ao Hospital do Fundão. O quadro de funcionários é composto por alunos na UFRJ.

E do aterro de 8 ilhotas, a Cidade Universitária começou a tomar forma e a se transformar na imensidão atual! De todas, eram 3 ilhas que davam forma ao local: a própria Ilha do Fundão (onde hoje encontra-se o Hospital do Fundão), a Ilha de Bom Jesus da Coluna (atualmente abriga a Faculdade de Letras) e a Ilha da Sapucaia (hoje acolhe o Parque Tecnológico). Nas adjacências, os “Manguinhos” (local de despejo de excrementos) são extirpados, e o Canal do Fundão é canalizado e passa a receber esses dejetos. Aliás, e daí que surge o nome de uma das maiores comunidades do Rio.

O nome não poderia ser mais apropriado: as margens do Canal do Fundão, um dos points dos estudantes: o Bar do Mangue.

Na década de 50 a Cidade Universitária começa a ser desenvolvida e os prédios construídos. Além dos campus já mencionados, é lá que se encontra o Parque Tecnológico, responsável por desenvolver alta tecnologia, com referência e importância a nível global. Por conta de suas dimensões, o deslocamento a pé é inconcebível! E é por isso que a Cidade conta com uma rede de transportes integrada e gratuita, com linhas de ônibus internas, exclusivas para o transporte de alunos e funcionários da UFRJ e com funcionamento 24 horas.

O Parque Tecnológico da UFRJ, referência nacional e mundial em pesquisas.

A estima ao lugar é tão grande que, atualmente, a Ilha do Fundão é tema de debates que procuram desenvolver projetos ecológicos para a recuperação da Baía de Guanabara. Alguns, inclusive, já estão em andamento. Entre eles, um programa é responsável por realizar a dragagem de todo material contaminado e pesado, sendo considerado o maior do mundo. Possui financiamento da Petrobrás e teve o prazo para conclusão estipulado em 2 anos. Promessas para tornar o lugar tão bonito quanto importante.

Completando a arquitetura do local, o Hospital Universitário - ou Hospital do Fundão - recebe pacientes de todo país.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

Há algumas semanas, tornou-se pública a insatisfação de um grupo de moradores do Moneró, no que diz respeito ao barulho oriundo do colégio Paranapuã, localizado na Rua Jaime Perdigão. O grupo relata que a instituição, instalada na localidade em 2008, não possui alvará do Corpo de Bombeiros para atuar, além de estar com sua alçada comprometida. No total, são 653 estudantes, quando a capacidade é para 444. O problema torna-se maior quando, em dias de Educação Física, a quadra da instituição entra em funcionamento. Por tratar-se de uma importante via do bairro, onde a concentração de idosos é um fato, os moradores mencionam que o barulho é intolerável e providências devem ser tomadas imediatamente.

Processos no Ministério Público e do Meio Ambiente já foram abertos, mas segundo a autora dos mesmos, Paloma Gonzales, desapareceram dos respectivos órgãos sem nenhuma explicação ou rastro. A moradora complementa: “Um relatório da perícia técnica do Meio Ambiente constatou que o barulho está incomodando os vizinhos, mas o colégio não quer nem saber e continua fazendo sua baderna, principalmente nos dias de Educação Física”, afirma Paloma em cartas enviadas aos principais veículos de divulgação da Ilha.

Em resposta, o Colégio Paranapuã afirma que todos os documentos confirmando a autorização encontram-se disponíveis nas dependências da unidade, assim como no site www.colegioparanapua.com.br. Para todos os interessados, a escola se propõe a esclarecer possíveis dúvidas, aproveitando para participar que são 35 anos de atuação na região, prestando seus serviços da melhor maneira possível. Adelson Madarino, assessor de direção do colégio, declara que “o barulho que o Paranapuã faz vem de todas as famílias que comemoram a aprovação de seus filhos nos vestibulares, escolas militares e técnicas”. Logo que novas informações estejam disponíveis, o blog voltará a comentar sobre o assunto.

Moradores mencionam que o barulho oriundo da escola está atrapalhando os vizinhos do bairro.

“É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar!”… É com esses versos que o Blog do Insulano apresenta um dos grandes orgulhos dos moradores da Ilha do Governador: a pequena notável União da Ilha! Pequena em sua simplicidade, porém, grande em seu carisma, com a perene capacidade de fazer o máximo com o mínimo! É  foi da reunião de 3 boêmios insulanos no carnaval do Rio Antigo que surgiu a principal agremiação da Ilha do Governador. No início, sem pretensões, com o intuito puro e simples de divertir… Em alguns anos, com um ousado registro na Associação das Escolas de Samba do Estado da Guanabara, a União da Ilha parte rumo ao sucesso, com enredos inesquecíveis e com o carisma peculiar. Dentre os sucessos, “É hoje o dia”, “O amanhã” (O que será o amanhã? Responda quem puder…) e Festa Profana (Eu vou tomar um porre de felicidade, vou sacudir…).

O brasão da escola recepciona os insulanos na entrada da quadra, na Estrada do Galeão.

Mas nem só de flores vive a escola. No início dos anos 2000, passou por sua pior fase, amargando péssimos colocações nos desfiles do Grupo Especial, o que acabou culminando em seu rebaixamento para o Grupo de Acesso em 2001. Foi somente em 2008, quase uma década após seu rebaixamento, que a escola reeditou o enredo “É hoje o dia” e sagrou-se como a vencedora do Grupo A, tendo a possibilidade de retornar para a elite do samba carioca. De lá pra cá, a União da Ilha permanece no Grupo Especial. Em 2011, a escola enfrentou a pior tragédia de sua trajetória: um incêndio na Cidade do Samba, algumas semanas antes do desfile, destruiu seu barracão, os carros alegóricos concluídos e as fantasias de quase toda escola. Juntamente com a Portela e a Grande Rio, recebeu da LIESA a imunidade de não concorrer ao título. Portanto, sem a possibilidade de ser rebaixada.

A escola está sendo reformanda e terá sua capacidade aumentada de 6 mil para 9 mil frequentadores. Prazo da obra já expirou.

E foi da fonte de extrema tradição que a União da Ilha bebeu, tendo como “madrinha” a Portela, agremiação de Madureira, a qual possui como marca registrada a águia. Por isso, a União da Ilha carrega em seu brasão a lira (que representa a música, o carnaval), o cavalo marinho (em referência à ilha, ao mar) e, finalmente, a magnânima águia, símbolo-mor de sua precursora! Para 2012, a Ilha vem com muitas novidades e vontade de fazer história: sua quadra (na Estrada do Cacuia) terá sua capacidade acrescida em 3 mil pessoas e o enredo, em referência às Olimpíadas de 2012, trará o tema “Era uma vez… uma Ilha”, já polemizando com a iniciativa de trazer o santo católico Saint George (padroeiro da Inglaterra) lado a lado com São Sebastião, padroeiro do Rio e da escola! E foi dada a partida, a festa vai começar!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.