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Já em clima nostálgico, o Blog do Insulano procura um desafio para o post histórico da semana: afinal, o que vem a ser a Ponte Nova da Ilha do Governador? E a Ponte Velha? Qual é o motivo dessas denominações, se ambas levam ao mesmo destino? Uma é mais importante que outra? É uma provação responder a todas essas indagações, mas o possível será feito!

O encontro das duas pontes na entrada da Ilha do Governador: a engenhosidade do homem surpreende.

Na década de 40 a Ilha não possuía um acesso terrestre ao continente, como já foi visto em outros textos. Entretanto, com o desenvolvimento local e as bases militares já em pleno funcionamento, houve a necessidade de um acesso mais fácil e constante à cidade do Rio (anteriormente a condição se dava através de navios, que partiam do Porto da Freguesia). Por isso, em 1949 a Ponte do Galeão foi fundada. A ligação era da Ilha do Governador para a Ilha do Fundão. Depois, do Fundão para a Avenida Brasil.

A Ponte Velha (também conhecida como a Ponte do Galeão) foi constrída em 1949 e possibilitou o crescimento da Ilha.

Tal fato foi o que propiciou o crescimento populacional e econômico da então pacata ilha do Rio de Janeiro. A população aumentou de 29 mil habitantes na data citada para 200 mil nos anos 90! Em um primeiro momento, o acesso era feito em apenas uma única pista, que funcionava em mão dupla. 4 anos após a inauguração, outra ponte foi erguida, com o objetivo de estabelecer mãos diferentes e, dessa forma, amenizar o fluxo intenso que já estava começando a se formar na região. É claro que o empreendimento não foi o suficiente para aliviar os engarrafamentos que se estendiam por quilômetros. Com isso, uma nova ponte  foi erguida, dessa vez levando diretamente para uma via de acesso expresso, então denominada como “Linha Vermelha”.

Na base, o acesso para Avenida Brasil. No plano superior, a Ponte Nova no acesso à Linha Vermelha.

Em 1985 a Ponte Nova foi inaugurada em meio a críticas da população do Rio de Janeiro, que alegava ser um gasto desnecessário do dinheiro público. Para a população insulana, considerado um conforto levar 20 minutos para alcançar o Centro da Cidade e a Zona Sul, fato inédito para a história do lugar. Essa comodidade não durou muito tempo, uma vez que todo o fluxo oriundo da Ilha do Fundão segue para o tal “caminho rápido”. Atualmente, ambos os acessos disputam de igual para igual a frequência. Com a aproximação dos grandes eventos esportivos no Rio, outra alternativa foi proposta para amenizar os problemas causados pelo tráfego intenso: uma nova ponte na entrada da Ilha! E essa possibilidade já tem nome… Sim, a Ponte Estaiada já é uma realidade e, em poucos dias, será inaugurada e disponibilizada para a população.

A Ponte Estaiada já é uma realidade e está quase concluída: expectativa de ser o novo cartão postal do Rio.

É fácil se sentir em um emaranhado de concreto quando se passa de condução pelo local. Para os desavisados, inexperientes ou até os mais atentos, chega ser surpreendente perceber as engenhosidades do homem e a complexidade das estruturas. Mérito dos insulanos adaptar-se com tanta naturalidade ao local!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programas de manipulação de imagens.

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Em uma tarde de domingo com sol ameno, o Blog do Insulano visita o primeiro bairro oficializado da Ilha do Governador. Foi lá onde tudo começou, a primeira igreja foi erguida, os portos foram abertos, as bases militares foram construídas… Após a Capela de Nossa Senhora da Ajuda ter sido inaugurada, os fiéis católicos (ou fregueses, daí o nome do lugar) compareciam para o comércio, para morarem e, é claro, para o conforto espiritual. Em alguns anos, a simples capela deu lugar a Igreja Nossa Senhora da Ajuda, hoje tombada pelo IPHAN. Em frente, localiza-se a Praia da Guanabara, a maior da Ilha, com mais de 1 quilômetro de extensão e uma vista única da Baía da Guanabara, da Serra dos Órgãos e do Dedo de Deus (os dois últimos na longínqua região serrana do Estado do Rio).

A Avenida Paranapuã, o seio do mar, transforma um simples percurso num passeio de rara beleza!

O acesso se dá através da Avenida Paranapuã (que no dialeto indígena significa o “seio do mar”). Ainda que a poluição maltrate a natureza e macule todo o espetáculo visual, não há possibilidade de ficar alheio à paisagem. O mar agracia lentamente todo o percurso, e as construções antigas remetem aos áureos tempos do bairro: era lá que a primeira linha de bondes (Ribeira – Cocotá) encontrava seu retorno. Nessa época o mercado que mais crescia era o de hotéis, e é comum encontrar em seu entorno diversos estabelecimentos do tipo. Triste é observar a degradação, previsível, desses lugares…

No início, uma simples capela. Atualmente, a Igreja Matriz tombada pelo patrimônio histórico nacional.

O mercado atual não é muito vasto, transformando o bairro em um dos mais residenciais de toda Ilha. São alguns quiosques na orla, duas casas de festas, alguns resistentes hotéis, uma padaria, uma farmácia e dois postos de gasolina. A impressão que se tem ao visitar o local é de que o mesmo parou no tempo, com uma praça extremamente arborizada (antiga Carmela Dutra e atual Calcutá) em frente à Igreja Matriz. Ao final da orla encontra-se a famosa Pedra da Onça, um dos principais símbolos da cultura insulana e vastamente apresentado no Blog.

Alguns resistentes hotéis demonstram que o local era, sem dúvidas, uma referência em turismo. Potencial possui, falta investimento.

Vale o passeio, a atenção aos detalhes e uma visita à Rainha do Mar, Iemanjá, brilhantemente representada em uma gruta dentro da praia! É a diversidade cultural surpreendendo e renovando a Freguesia!

Durante o passeio, vale a visita à Rainha do Mar, brilhantemente representada numa gruta dentro do mar!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

Em algumas ocasiões, o Blog do Insulano menciona que a Ilha do Governador é a tal ilha atípica, já que em quase nada lembra o que foi em sua essência. Entretanto, alguns fatos, a cultura e os templos religiosos remanescentes ajudam a contar a história desse lugar. Nesse momento, o blog vai fazer uma viagem em 400 anos, quando a primeira igreja foi levantada em domínios insulanos! Inclusive, existem projetos que visam atuar com o turismo nessa região. Portanto, tais conhecimentos são imprescindíveis para quem deseja enaltecer as belezas de sua querida Ilha!

Igreja de Nossa Senhora da Conceição. A data de inauguração é aproximada, pois não existe um registro oficial que apresente a informação.

Atualmente existem mais de 20 igrejas católicas em toda Ilha do Governador (isso sem mencionar os templos protestantes e as casas espíritas), mas para iniciar o passeio, foca-se em três santuários específicos, aqueles que já presenciaram tantos e tantos acontecimentos.

Ainda que próxima aos lugares mais movimentados da Ilha, a Igreja transmite tranqulidade e paz ao local.

O primeiro pode ser estimado como o marco-zero e sua data de inauguração é algo próximo de 1662. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição é considerada patrimônio histórico nacional e encontra-se na Praia da Bica, no Jardim Guanabara. Ainda que modesta em suas dimensões, acrescenta ao cenário uma aura de tranquilidade e paz! Passou por diversas reformas que culminaram em sua descaracterização. Todavia, no ano 2000 foi realizada uma última restauração, que devolveu suas feições originais. Um fato curioso é que a igreja enfrentou diversos saques, tendo suas imagens roubadas (informações davam conta que as mesmas foram trazidas da Alemanha). No altar atual há somente réplicas de gesso.

É no bairro da Freguesia que a primeira Igreja insulana foi construída. Monumento histórico, com quase 400 anos de existência.

A segunda paróquia visitada é a de Nossa Senhora da Ajuda, na Freguesia, foi construída em 1710 e abrigou o primeiro cemitério insulano, como visto em outro post. Foi totalmente devastada por um incêndio em 1871. Da construção original sobrou somente as paredes externas. Quase 30 anos depois, em 1900, uma nova estrutura foi apresentada. Em 1904 o cemitério foi transferido para o bairro do Cacuia, possibilitando uma obra de expansão. Hoje quase todas as celebrações são realizadas no anexo, porém a imponência do templo original permanece inalterada, às margens da Praia da Guanabara.

No alto do Morro D'Ouro, um oáses: a Igreja da Sagrada Família, imponente e soberana!

Para completar, a Igreja da Sagrada Família, na Ribeira, única e admirável no alto do Morro D’Ouro, é famosa por transportar seus visitantes a lugares impensáveis para uma metrópole. Sua inauguração data de 1913 e a mesma foi construída por iniciativas de moradores dos bairros adjacentes. Tal processo foi necessário por conta da afastada localização da igreja matriz (Nossa Senhora da Ajuda). Outra observação pertinente é que, diferentemente das outras construções edificadas de maneira de possibilitassem o fácil acesso, a Igreja da Sagrada Família é localizada no cume de um morro. Talvez seja justamente por esse motivo que a vibração do lugar seja genuína e exclusiva.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

Feriado de 02 de novembro, Dia dos Finados, e o Blog do Insulano convida para uma viagem, no mínimo, inusitada. Conforme já mencionado em outras oportunidades, é de conhecimento geral que a única necrópole da Ilha do Governador é localizada no bairro do Cacuia. Mas alguém já ouviu falar que esse não é o primeiro cemitério insulano? Sim, isso é fato, e o post procura esclarecer um pouco mais a respeito! O Cemitério do Cacuia data de Janeiro de 1904 e ocupa mais de um quarteirão de todo o bairro. Os muros são baixos e as sepulturas, por mais macabro que possa parecer, estão ao alcance de tudo e de todos. Como é concentrado numa espécie de planície, a superfície e o tradicional Cruzeiro das Almas do mesmo são facilmente observados desde o portão principal, impondo respeito e silêncio.

No alto da planície, a vista de boa parte da Ilha do Governador e uma comunidade que se desenvolve rapidamente.

Anteriormente, os insulanos mais ricos e provedores da Igreja Católica repousavam no bairro da Freguesia, mais especificamente na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. Conta a lenda que nos dias que antecediam o carnaval, uma lista com os nomes de pessoas marcadas para morrer era fixada nos muros do cemitério, nesse momento já estabelecido no local atual. Os mais antigos afirmam que esse fato foi o grande responsável por extinguir a folia do lugar por anos. O curioso dessa circunstância é que a quadra da escola de samba União da Ilha do Governador é localizada metros a frente! Ainda que o cenário propicie meditação e respeito aos mortos, a curiosidade por vezes assola os mais atentos visitantes: os detalhes são surpreendentes!

Antes da transferência a o local atual, os insulanos eram sepultados da Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda, na Freguesia.

Somente para situar, os cemitérios que se conhece atualmente nada mais são que iniciativas impostas pela higiene pública das metrópoles brasileiras. Ainda durante o império (quase um século antes da inauguração do campo santo da Ilha), os corpos dos mais abastados eram sepultados em igrejas ou, quando muito, em áreas nas adjacências dos templos. Mas em tempos de surtos de doenças contagiosas (como a tuberculose e a Doença de Chagas), a permanência de corpos em locais públicos transformava-se em sérios problemas para a saúde dos cidadãos. Com a modernização das cidades e a crescente população, a solução foi estabelecer locais específicos para as cerimônias fúnebres e o repouso eterno. Assim, criou-se o que hoje se conhece como “cemitério”. O primeiro do Brasil, segundo alguns estudiosos, foi construído em províncias de Pernambuco.

O que se conhece como cemitério atualmente, nada mais é do que uma medida urgente para coibir a proliferação das doenças contagiosas, já que os sepultamentos ocorriam nas igrejas católicas.

Muito antes de conceber esses locais com uma aura funesta e mórbida, as grandes nações estimulam a visitação e chegam a incluir os cemitérios nos roteiros turísticos de suas cidades, como acontece em países como França (Père-Lechaise, Paris), Estados Unidos (Forest Lawn, Los Angeles) e Argentina (Recoleta, Buenos Aires). Na verdade, eximindo-se completamente de preconceitos ou crendices, os lugares são verdadeiros museus a céu aberto, com esculturas de renomados artistas e contos que atravessam séculos. A estrutura que certos jazigos demonstram, por exemplo, são referenciais do quanto a sociedade modernizou-se no decorrer de sua história, além de apresentar os costumes dos habitantes mais antigos. Para tanto, o desafio é simplesmente deixar-se envolver pela rica cultura que qualquer lugar do mundo é capaz de propiciar e manter o respeito pelos que já se foram. Como diz uma placa que recepciona os visitantes do São João Batista: “visite-os antes que você se torne a atração”.

Alguns países no mundo utilizam seus campos santos como mais uma atração turística, verdadeiros museus a céu aberto.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

Nas vésperas da inauguração da primeira ponte estaiada do Rio de Janeiro (com o nome provisório de Ponte Norte), o Blog do Insulano esclarece possíveis dúvidas a respeito do assunto. Pra começar, uma ponte estaiada é uma ponte suspensa por cabos, constituída de mastros que, juntos, irão sustentar o tabuleiro da ponte. Além do custo reduzido, possui um forte apelo estético (segundo seu idealizador, Alexandre Chan, a intenção foi lembrar o “biguá”, pássaro típico da região e que foi um dos animais mais afetados pelo derramamento de óleo na Baía de Guanabara, em 2009) e sua construção é muito mais rápida que a de outros modelos. A Ponte Norte, que tem início na Ilha do Fundão, poderá suportar até 20 mil veículos por dia e suas obras operam em alta velocidade, afim de atender aos futuros eventos esportivos, que serão sediados no Rio.

Prestes a ser inaugurada, a Ponte Estaiada descortina-se com pompa de cartão postal, mesmo que ainda incompleta.

O projeto da Ponte Norte faz parte da construção da BRT Transcarioca, rodovia que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional através de uma única via. E uma das principais maneiras de desafogar o trânsito da entrada da Ilha do Governador é desviar parte do contingente oriundo da UFRJ para a ponte estaiada, que sai da Ilha do Fundão e segue em direção à Linha Vermelha, sentido Zonal Sul, com um percurso de pouco mais de 700 metros. Além da ponte, o projeto prevê a dragagem dos Canais do Fundão e do Cunha, ambos afetados pela poluição e péssimo referencial para uma cidade que abrigará eventos tão grandiosos.

A Ponte Norte é a primeira ponte estaiada do Rio de Janeiro, e o projeto ainda prevê a construção de mais 2, na Barra da Tijuca.

No Brasil, outros exemplos notórios são as pontes estaiadas de Brasília (Juscelino Kubitschek) e São Paulo (Octávio Dias de Oliveira e Governador Orestes Quércia), que já são consideradas genuínos cartões postais. No mundo, as mais conhecidas são a Ponte de Millau, que liga a França à Espanha (considerada a mais alta do mundo, com 343 metros de altura), a Stonecutters Bridge (em Hong Kong) e a Sutong Bridge (na China). Pra completar, é claro que o objetivo principal é mostrar ao público vindo do Aeroporto do Galeão os encantos do Rio desde o desembarque, com belas esculturas urbanas e a orla mais exaltada de todo mundo. Promessas ansiadas e muito bem vindas!

* Todas as fotografias presentes do post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programas de manipulação de imagens.

Em um domingo de chuvas e ventos, o Blog do Insulano conheceu um pouco mais de história, e aqui apresenta o espólio da atípica ilha… E dessa vez mostra uma outra ilha, mais afastada, mas nem por isso menos importante. A Ilha do Fundão, nas imediações do acesso à Ilha do Governador, concentra 15 campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, junto com os estudantes, acalenta promessas de progresso e superação para todo o país!

O CCS (Centro de Ciências da Saúde) está localizado em frente ao Hospital do Fundão. O quadro de funcionários é composto por alunos na UFRJ.

E do aterro de 8 ilhotas, a Cidade Universitária começou a tomar forma e a se transformar na imensidão atual! De todas, eram 3 ilhas que davam forma ao local: a própria Ilha do Fundão (onde hoje encontra-se o Hospital do Fundão), a Ilha de Bom Jesus da Coluna (atualmente abriga a Faculdade de Letras) e a Ilha da Sapucaia (hoje acolhe o Parque Tecnológico). Nas adjacências, os “Manguinhos” (local de despejo de excrementos) são extirpados, e o Canal do Fundão é canalizado e passa a receber esses dejetos. Aliás, e daí que surge o nome de uma das maiores comunidades do Rio.

O nome não poderia ser mais apropriado: as margens do Canal do Fundão, um dos points dos estudantes: o Bar do Mangue.

Na década de 50 a Cidade Universitária começa a ser desenvolvida e os prédios construídos. Além dos campus já mencionados, é lá que se encontra o Parque Tecnológico, responsável por desenvolver alta tecnologia, com referência e importância a nível global. Por conta de suas dimensões, o deslocamento a pé é inconcebível! E é por isso que a Cidade conta com uma rede de transportes integrada e gratuita, com linhas de ônibus internas, exclusivas para o transporte de alunos e funcionários da UFRJ e com funcionamento 24 horas.

O Parque Tecnológico da UFRJ, referência nacional e mundial em pesquisas.

A estima ao lugar é tão grande que, atualmente, a Ilha do Fundão é tema de debates que procuram desenvolver projetos ecológicos para a recuperação da Baía de Guanabara. Alguns, inclusive, já estão em andamento. Entre eles, um programa é responsável por realizar a dragagem de todo material contaminado e pesado, sendo considerado o maior do mundo. Possui financiamento da Petrobrás e teve o prazo para conclusão estipulado em 2 anos. Promessas para tornar o lugar tão bonito quanto importante.

Completando a arquitetura do local, o Hospital Universitário - ou Hospital do Fundão - recebe pacientes de todo país.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

“É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar!”… É com esses versos que o Blog do Insulano apresenta um dos grandes orgulhos dos moradores da Ilha do Governador: a pequena notável União da Ilha! Pequena em sua simplicidade, porém, grande em seu carisma, com a perene capacidade de fazer o máximo com o mínimo! É  foi da reunião de 3 boêmios insulanos no carnaval do Rio Antigo que surgiu a principal agremiação da Ilha do Governador. No início, sem pretensões, com o intuito puro e simples de divertir… Em alguns anos, com um ousado registro na Associação das Escolas de Samba do Estado da Guanabara, a União da Ilha parte rumo ao sucesso, com enredos inesquecíveis e com o carisma peculiar. Dentre os sucessos, “É hoje o dia”, “O amanhã” (O que será o amanhã? Responda quem puder…) e Festa Profana (Eu vou tomar um porre de felicidade, vou sacudir…).

O brasão da escola recepciona os insulanos na entrada da quadra, na Estrada do Galeão.

Mas nem só de flores vive a escola. No início dos anos 2000, passou por sua pior fase, amargando péssimos colocações nos desfiles do Grupo Especial, o que acabou culminando em seu rebaixamento para o Grupo de Acesso em 2001. Foi somente em 2008, quase uma década após seu rebaixamento, que a escola reeditou o enredo “É hoje o dia” e sagrou-se como a vencedora do Grupo A, tendo a possibilidade de retornar para a elite do samba carioca. De lá pra cá, a União da Ilha permanece no Grupo Especial. Em 2011, a escola enfrentou a pior tragédia de sua trajetória: um incêndio na Cidade do Samba, algumas semanas antes do desfile, destruiu seu barracão, os carros alegóricos concluídos e as fantasias de quase toda escola. Juntamente com a Portela e a Grande Rio, recebeu da LIESA a imunidade de não concorrer ao título. Portanto, sem a possibilidade de ser rebaixada.

A escola está sendo reformanda e terá sua capacidade aumentada de 6 mil para 9 mil frequentadores. Prazo da obra já expirou.

E foi da fonte de extrema tradição que a União da Ilha bebeu, tendo como “madrinha” a Portela, agremiação de Madureira, a qual possui como marca registrada a águia. Por isso, a União da Ilha carrega em seu brasão a lira (que representa a música, o carnaval), o cavalo marinho (em referência à ilha, ao mar) e, finalmente, a magnânima águia, símbolo-mor de sua precursora! Para 2012, a Ilha vem com muitas novidades e vontade de fazer história: sua quadra (na Estrada do Cacuia) terá sua capacidade acrescida em 3 mil pessoas e o enredo, em referência às Olimpíadas de 2012, trará o tema “Era uma vez… uma Ilha”, já polemizando com a iniciativa de trazer o santo católico Saint George (padroeiro da Inglaterra) lado a lado com São Sebastião, padroeiro do Rio e da escola! E foi dada a partida, a festa vai começar!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

O Galeão, além do avião.

Publicado: 5 de outubro de 2011 em Galeão, Histórico, Notícias
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Mais um bairro desvendado, mais histórias pra contar. Dessa vez, o contemplado é o Galeão, a porta de entrada da Ilha do Governador. Muitas vezes confundido com o aeroporto, a área que abriga a Estrada do Galeão corresponde, no total, a 51% de toda ilha! A área abrange, ainda, as principais instalações militares como, por exemplo, a Base Aérea do Galeão, Hospital da Aeronáutica, Hospital de Medicina Aeroespacial, além das Vilas Oficiais dos Militares, três imensas reservas ecológicas – que contam, também, com proteção militar e acesso restrito – e algumas comunidades, como a Vila Joaniza, mais conhecida como “Barbante”.

A Praça do Avião, no bairro do Galeão. Em toda Estrada do Galeão, são diversos modelos de aviões em exposição.

Conta a lenda que o nome “Galeão” é oriundo do navio “Galeão do Padre Eterno”, projetado e construído em um estaleiro montado na região. Essa embarcação seria, naquela época, a maior do mundo e fez sua viagem inaugural rumo à capital Lisboa. Menciona-se que o então Imperador do Brasil, Dom João VI, escolhera a área como campo para a caça e cria, instituindo a “Coutada Real”.

Toda extensão do bairro é, principalmente, ocupada por militares, com casas padronizadas.

Foi no ano de 1948, muito tempo após as primeiras instalações navais da região, que a ponte que liga a Ilha do Governador à Avenida Brasil foi construída, e em 1952 o Aeroporto do Galeão (conhecido como Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, posteriormente identificado como Galeão ou Antônio Carlos Jobim) foi desenvolvido de forma mais moderna, com capacidade para atender ao intenso turismo na capital. Vale mencionar que o cantor, compositor e poeta Tom Jobim foi homenageado após seu falecimento, em 1994. Justo tributo para um dos maiores nomes do Brasil e, ainda hoje, divulgador da cultura nacional mundialmente.

O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, também conhecido como Galeão ou Tom Jobim.

Pra completar, mesmo que a parte e bastante afastado (a presença de transeuntes é quase imperceptível), o bairro do Galeão pertence a mesma região administrativa da Ilha do Governador. Entretanto, o fluxo de automóveis é intenso, uma vez que a Estrada do Galeão, mesmo após a implantação da Ponte Nova, continua sendo o único percurso de entrada e saída da Ilha.

Diversas unidades militares estão em toda a extensão da Estrada do Galeão, que é presente em 51% de toda Ilha.

* Todas as fotos presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram trabalhadas através de programa de edição de imagens.

A Portuguesa da Ilha…

Publicado: 27 de setembro de 2011 em Histórico, Notícias, Portuguesa
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Em mais uma tarde de domingo nublado, o blog visitou o bairro da Portuguesa, um dos primeiros para quem chega na Ilha. Como não poderia deixar de ser, as grandes lojas e agências bancárias são amplamente encontradas nesse próspero e movimentado local, mas nem por isso mais bonito ou surpreendente. Como o próprio nome já é capaz de esclarecer, a Portuguesa possui, em toda sua extensão, fácil acesso ao Clube Portuguesa, um estádio com capacidade para 15 mil pessoas, servindo de palco para os principais eventos musicais e esportivos.

Com capacidades para 15 mil pessoas, o estádio dá nome ao bairro e abriga os principais eventos esportivos e musicais.

É curioso perceber que, ainda que o mais distraído morador ande sem rumo pelas ruas do bairro, não há maneira de se perder, pois a cada esquina esbarra-se em um dos acesso – ou portões – do parque! E para quem interessar possa, a Associação Atlética Portuguesa é uma agremiação tipicamente carioca, fundada em 1924 e, mesmo com pouca expressividade no cenário nacional, possui duas perseverantes e fiéis torcidas – a Brava Raça Lusitana e o Movimento Raça Lusitana.

Na década de 90 o bairro foi contemplado com o projeto "Rio Cidade" e foi totalmente remodelado.

O bairro recebeu da Prefeitura, em 1996, o projeto “Rio Cidade”, responsável por revitalizar toda extensão da Estrada do Galeão, construir um calçadão proporcional à quantidade de pedestres e diversos estacionamentos, justamente para atender a demanda do público consumidor, oriundo de várias partes da Ilha. Entretanto, a marca registrada do lugar são os dois chafarizes gigantes, cada um em uma extremidade da área, que parece recepcionar – ou desperdir-se – de todos os moradores e visitantes.

O enorme chafariz é considerado o símbolo do bairro, recepcionando a todos os moradores e visitantes da Ilha!

Para completar, encontra-se em franco desenvolvimento o novo Hospital Municipal Paulino Werneck, que está sendo construído no lugar justamente para que seja de fácil acesso e democrático, como já foi mencionado em  outro post. Além dele, vale ressaltar a Praça Elis Regina, inaugurada recentemente pela vereadora Tânia Bastos. Com novos alambrados e brinquedos, a praça conta com um parCão, área destinada especialmente para os amigos de 4 patas!

O novo Paulino Werneck, obra a plenos pulmões, mas com o prazo para conclusão bastante apertado.

Sem dúvida alguma, a Portuguesa é o bairro mais visitado de toda Ilha do Governador. Entretanto, o motivo é simplesmente por não haver outra alternativa para entrar e sair do lugar sem antes passar por ele…

Mais um dia de sol para os insulanos, mais uma oportunidade para a Ilha do Governador demonstrar sua áspera beleza para quem quiser, e puder. Continuando as andanças por terras atípicas, o blog teve a possibilidade de desbravar duas das áreas mais povoadas do local: o Cacuia, com seu comércio celebrado e em constante progresso, e o Cocotá, que promove a junção do belo com o decadente, da finesse com o ríspido… Não acredita? Basta caminhar por poucos minutos na selva de pedras a beira-mar!

A selva de pedras a beira-mar. Cacuia e Cocotá, os bairros mais populares da Ilha.

O Cacuia, localizado na parte central da Ilha, é única e necessária em seus pormenores: a feira livre, o comércio popular, os supermercados e as lojas de departamento são opções mais em conta para as compras. E lá que encontra-se o berço do samba insulano, com a quadra da União da Ilha fervilhando desde já com os preparativos para o carnaval do próximo ano.

A curiosa geometria do cemitério: alguns túmulos parecem estar dispostos na diagonal.

Um dos locais mais democráticos de toda região, é onde todos os moradores recolhem-se para o descanso eterno: e lá que observa-se o único cemitério da Ilha do Governador, adentrando por quarteirões incansáveis e surpreendendo com sua geografia, no mínimo, curiosa – os túmulos são dispostos, por vezes, na diagonal. Para completar, o Hospital Paulino Werneck, tímido, solitário e quase abandonado. Espera-se, por sinal, que novos ventos possam dar fôlego à instituição.

O antigo Paulino Werneck, tímido, abandonado e no aguardo de novos ares.

Em alguns minutos, chega-se ao aterro do Cocotá, não menos importante economicamente. A força do comércio é tamanha que até aos domingos a feira livre encontra espaço e público para alcançar o seu ápice. É em uma praça adaptada, com possibilidades para todas as tribos, que o Cocotá agrada à Gregos e Troianos. Do skatista à criança, do jovem ao idoso, das mães aos capoeiristas, todos possuem espaço no lugar, verdadeira Torre de Babel tupiniquim!

Na orla do Cocotá, a Praia da Bandeira... Um dos mais belos quadros da Ilha.

A atual – mas nem por isso superior – estação das barcas é localizada na Praia da Bandeira. Difícil é conceber que um lugar tão bonito possa padecer em frente à um povo tão animado e descontraído. Uma unidade da UPA foi construída recentemente no lugar, com a intenção de amenizar o fluxo intenso do Paulino Werneck. Aparentemente, a empreitada vem obtendo relativo sucesso.

Inaugurada em 2009, uma nova unidade da UPA procura amenizar o fluxo intenso do Paulino Werneck.

Para completar, a Lona Cultural Renato Russo dá mais graça e promove a cultura ao lugar. Vale lembrar, também, que o cantor foi morador da Ilha durante alguns anos de sua vida. Justa homenagem para figura tão importante para todos Brasil, eternamente venerado pelos saudosos contemporâneos.

Em memória a um dos mais ilustres insulanos, a Lona Cultural Renato Russo.

* Todas as fotos presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram alteradas através de programa de edição de fotografias.