Arquivo de 18 de novembro de 2011

Em uma tarde de domingo com sol ameno, o Blog do Insulano visita o primeiro bairro oficializado da Ilha do Governador. Foi lá onde tudo começou, a primeira igreja foi erguida, os portos foram abertos, as bases militares foram construídas… Após a Capela de Nossa Senhora da Ajuda ter sido inaugurada, os fiéis católicos (ou fregueses, daí o nome do lugar) compareciam para o comércio, para morarem e, é claro, para o conforto espiritual. Em alguns anos, a simples capela deu lugar a Igreja Nossa Senhora da Ajuda, hoje tombada pelo IPHAN. Em frente, localiza-se a Praia da Guanabara, a maior da Ilha, com mais de 1 quilômetro de extensão e uma vista única da Baía da Guanabara, da Serra dos Órgãos e do Dedo de Deus (os dois últimos na longínqua região serrana do Estado do Rio).

A Avenida Paranapuã, o seio do mar, transforma um simples percurso num passeio de rara beleza!

O acesso se dá através da Avenida Paranapuã (que no dialeto indígena significa o “seio do mar”). Ainda que a poluição maltrate a natureza e macule todo o espetáculo visual, não há possibilidade de ficar alheio à paisagem. O mar agracia lentamente todo o percurso, e as construções antigas remetem aos áureos tempos do bairro: era lá que a primeira linha de bondes (Ribeira – Cocotá) encontrava seu retorno. Nessa época o mercado que mais crescia era o de hotéis, e é comum encontrar em seu entorno diversos estabelecimentos do tipo. Triste é observar a degradação, previsível, desses lugares…

No início, uma simples capela. Atualmente, a Igreja Matriz tombada pelo patrimônio histórico nacional.

O mercado atual não é muito vasto, transformando o bairro em um dos mais residenciais de toda Ilha. São alguns quiosques na orla, duas casas de festas, alguns resistentes hotéis, uma padaria, uma farmácia e dois postos de gasolina. A impressão que se tem ao visitar o local é de que o mesmo parou no tempo, com uma praça extremamente arborizada (antiga Carmela Dutra e atual Calcutá) em frente à Igreja Matriz. Ao final da orla encontra-se a famosa Pedra da Onça, um dos principais símbolos da cultura insulana e vastamente apresentado no Blog.

Alguns resistentes hotéis demonstram que o local era, sem dúvidas, uma referência em turismo. Potencial possui, falta investimento.

Vale o passeio, a atenção aos detalhes e uma visita à Rainha do Mar, Iemanjá, brilhantemente representada em uma gruta dentro da praia! É a diversidade cultural surpreendendo e renovando a Freguesia!

Durante o passeio, vale a visita à Rainha do Mar, brilhantemente representada numa gruta dentro do mar!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

Anúncios

Na última semana, a coluna de Ancelmo Góes afirmou que a Praia da Guanabara seria revitalizada, para alívio e alegria dos insulanos. Aproveitando a pesquisa histórica, o Blog do Insulano verificou se tal informação realmente era fato. Grata surpresa observar que muito já foi feito, e com apenas algumas iniciativas. Como exemplo, vale ressaltar o monumento ao Gato Maracajá, que já não apresenta nenhuma pichação, somente deterioração na cabeça da escultura; a areia e a beira da praia não acumulam tanto lixo e todo o asfalto do terminal rodoviário está em processo de substituição.

O calçamento do entorno já está sendo refeito, a limpeza do lugar já consegue surpreender.

E as novidades não se restringem a tais procedimentos. Segundo a página oficial do “Grupo de Amigos da Ilha” no Facebook, muito ainda está previsto antes da conclusão das obras: mesas de jogos serão instaladas no local, uma unidade da Academia da Terceira Idade funcionará nas proximidades e toda iluminação pública será reformulada. A obra conta com o apoio da Secretaria de Conservação, da Qualidade de Vida e Envelhecimento, da Rio Luz, da Supply Brasil e dos Transportes Paranapuan.

Nenhuma pichação aparente, um visual muito mais limpo, e o projeto prevê muito mais.

São essas pequenas e imprescindíveis iniciativas que incentivam e estimulam o trabalho do Blog, mostrando que o progresso é possível quando existe um mínimo de zelo e atenção. Afinal de contas, a história que se apresenta aqui somente é possível com um primeiro passo. Logo, valorizar uma herança tão rica e democrática é obrigação de todo insulano. As futuras gerações agradecem!

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.