Arquivo de 10 de novembro de 2011

Em algumas ocasiões, o Blog do Insulano menciona que a Ilha do Governador é a tal ilha atípica, já que em quase nada lembra o que foi em sua essência. Entretanto, alguns fatos, a cultura e os templos religiosos remanescentes ajudam a contar a história desse lugar. Nesse momento, o blog vai fazer uma viagem em 400 anos, quando a primeira igreja foi levantada em domínios insulanos! Inclusive, existem projetos que visam atuar com o turismo nessa região. Portanto, tais conhecimentos são imprescindíveis para quem deseja enaltecer as belezas de sua querida Ilha!

Igreja de Nossa Senhora da Conceição. A data de inauguração é aproximada, pois não existe um registro oficial que apresente a informação.

Atualmente existem mais de 20 igrejas católicas em toda Ilha do Governador (isso sem mencionar os templos protestantes e as casas espíritas), mas para iniciar o passeio, foca-se em três santuários específicos, aqueles que já presenciaram tantos e tantos acontecimentos.

Ainda que próxima aos lugares mais movimentados da Ilha, a Igreja transmite tranqulidade e paz ao local.

O primeiro pode ser estimado como o marco-zero e sua data de inauguração é algo próximo de 1662. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição é considerada patrimônio histórico nacional e encontra-se na Praia da Bica, no Jardim Guanabara. Ainda que modesta em suas dimensões, acrescenta ao cenário uma aura de tranquilidade e paz! Passou por diversas reformas que culminaram em sua descaracterização. Todavia, no ano 2000 foi realizada uma última restauração, que devolveu suas feições originais. Um fato curioso é que a igreja enfrentou diversos saques, tendo suas imagens roubadas (informações davam conta que as mesmas foram trazidas da Alemanha). No altar atual há somente réplicas de gesso.

É no bairro da Freguesia que a primeira Igreja insulana foi construída. Monumento histórico, com quase 400 anos de existência.

A segunda paróquia visitada é a de Nossa Senhora da Ajuda, na Freguesia, foi construída em 1710 e abrigou o primeiro cemitério insulano, como visto em outro post. Foi totalmente devastada por um incêndio em 1871. Da construção original sobrou somente as paredes externas. Quase 30 anos depois, em 1900, uma nova estrutura foi apresentada. Em 1904 o cemitério foi transferido para o bairro do Cacuia, possibilitando uma obra de expansão. Hoje quase todas as celebrações são realizadas no anexo, porém a imponência do templo original permanece inalterada, às margens da Praia da Guanabara.

No alto do Morro D'Ouro, um oáses: a Igreja da Sagrada Família, imponente e soberana!

Para completar, a Igreja da Sagrada Família, na Ribeira, única e admirável no alto do Morro D’Ouro, é famosa por transportar seus visitantes a lugares impensáveis para uma metrópole. Sua inauguração data de 1913 e a mesma foi construída por iniciativas de moradores dos bairros adjacentes. Tal processo foi necessário por conta da afastada localização da igreja matriz (Nossa Senhora da Ajuda). Outra observação pertinente é que, diferentemente das outras construções edificadas de maneira de possibilitassem o fácil acesso, a Igreja da Sagrada Família é localizada no cume de um morro. Talvez seja justamente por esse motivo que a vibração do lugar seja genuína e exclusiva.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

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Ainda sem alvoroço e observada com muita cautela, uma nota foi publicada no blog de Ancelmo Góes, colunista do Jornal O Globo, mencionando que, em breve, a Pedra da Onça, na Praia da Guanabara, será reformada. A subprefeitura irá restaurar o monumento, apagando as pichações da estátua, além de limpar as adjacências. Com toda segurança, é uma notícia mais que bem vinda e aguardada por todos os insulanos há décadas. A imagem é, sem dúvidas, um dos principais símbolos culturais da Ilha do Governador, fornecendo ao cenário um toque de misticismo e veneração.

Projeto prevê a restauração da Pedra da Onça, um dos maiores símbolos da cultura insulana.

Segundo alguns estudiosos, uma índia que morava na região adotou um gato selvagem (muito parecido com uma onça quando adulto, daí o nome da escultura) e todos os dias o levava em suas caminhadas pela orla. A principal distração da nativa era pular da pedra para o mar. Em dado momento, a índia mergulhou e não voltou mais. Seu animal de estimação, fiel, lá permaneceu a sua espera, dias a fio, até morrer de fome. Esse conto, não confirmado pelos historiadores, inspirou um grupo de moradores, na década de 20, a perpetuar a história. 45 anos após, o monumento, já bastante castigado pela ação do tempo, foi substituído por um outro, que lá se encontra até os dias de hoje.

A coluna esclarece que o entorno também será contemplado. Justo empenho para uma das áreas mais bonitas da Ilha.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.