“Visite-os, antes que você se torne a atração”.

Publicado: 4 de novembro de 2011 em Cacuia, Cemitério do Cacuia, Histórico, Notícias
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Feriado de 02 de novembro, Dia dos Finados, e o Blog do Insulano convida para uma viagem, no mínimo, inusitada. Conforme já mencionado em outras oportunidades, é de conhecimento geral que a única necrópole da Ilha do Governador é localizada no bairro do Cacuia. Mas alguém já ouviu falar que esse não é o primeiro cemitério insulano? Sim, isso é fato, e o post procura esclarecer um pouco mais a respeito! O Cemitério do Cacuia data de Janeiro de 1904 e ocupa mais de um quarteirão de todo o bairro. Os muros são baixos e as sepulturas, por mais macabro que possa parecer, estão ao alcance de tudo e de todos. Como é concentrado numa espécie de planície, a superfície e o tradicional Cruzeiro das Almas do mesmo são facilmente observados desde o portão principal, impondo respeito e silêncio.

No alto da planície, a vista de boa parte da Ilha do Governador e uma comunidade que se desenvolve rapidamente.

Anteriormente, os insulanos mais ricos e provedores da Igreja Católica repousavam no bairro da Freguesia, mais especificamente na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. Conta a lenda que nos dias que antecediam o carnaval, uma lista com os nomes de pessoas marcadas para morrer era fixada nos muros do cemitério, nesse momento já estabelecido no local atual. Os mais antigos afirmam que esse fato foi o grande responsável por extinguir a folia do lugar por anos. O curioso dessa circunstância é que a quadra da escola de samba União da Ilha do Governador é localizada metros a frente! Ainda que o cenário propicie meditação e respeito aos mortos, a curiosidade por vezes assola os mais atentos visitantes: os detalhes são surpreendentes!

Antes da transferência a o local atual, os insulanos eram sepultados da Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda, na Freguesia.

Somente para situar, os cemitérios que se conhece atualmente nada mais são que iniciativas impostas pela higiene pública das metrópoles brasileiras. Ainda durante o império (quase um século antes da inauguração do campo santo da Ilha), os corpos dos mais abastados eram sepultados em igrejas ou, quando muito, em áreas nas adjacências dos templos. Mas em tempos de surtos de doenças contagiosas (como a tuberculose e a Doença de Chagas), a permanência de corpos em locais públicos transformava-se em sérios problemas para a saúde dos cidadãos. Com a modernização das cidades e a crescente população, a solução foi estabelecer locais específicos para as cerimônias fúnebres e o repouso eterno. Assim, criou-se o que hoje se conhece como “cemitério”. O primeiro do Brasil, segundo alguns estudiosos, foi construído em províncias de Pernambuco.

O que se conhece como cemitério atualmente, nada mais é do que uma medida urgente para coibir a proliferação das doenças contagiosas, já que os sepultamentos ocorriam nas igrejas católicas.

Muito antes de conceber esses locais com uma aura funesta e mórbida, as grandes nações estimulam a visitação e chegam a incluir os cemitérios nos roteiros turísticos de suas cidades, como acontece em países como França (Père-Lechaise, Paris), Estados Unidos (Forest Lawn, Los Angeles) e Argentina (Recoleta, Buenos Aires). Na verdade, eximindo-se completamente de preconceitos ou crendices, os lugares são verdadeiros museus a céu aberto, com esculturas de renomados artistas e contos que atravessam séculos. A estrutura que certos jazigos demonstram, por exemplo, são referenciais do quanto a sociedade modernizou-se no decorrer de sua história, além de apresentar os costumes dos habitantes mais antigos. Para tanto, o desafio é simplesmente deixar-se envolver pela rica cultura que qualquer lugar do mundo é capaz de propiciar e manter o respeito pelos que já se foram. Como diz uma placa que recepciona os visitantes do São João Batista: “visite-os antes que você se torne a atração”.

Alguns países no mundo utilizam seus campos santos como mais uma atração turística, verdadeiros museus a céu aberto.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.

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comentários
  1. Josiane Martins... disse:

    Rafael Vieira,ao ler e aprender um pouco mas sobre os cemitérios, em específico aki o da Ilha,tenho que concordar que há sim preconceitos sobre o tal,e concordar também que países como a França, EUA, entre outros de primeiro mundo, incluíam os cemitérios nos roteiros turísticos;
    Pode até ser preconceito da minha parte,mais não creio que os cemitérios desses países,tenham a precariedade e a desordem dos nossos,não tenho medo de cemitérios,e sim de lugares sombrios e mal cuidados como o tal.
    Porém no dia q fores a França conhecer os cemitérios de lá,poste as fotos no seu futuro blog,o de recém formado em Jornalismo!
    Um abraço.
    Josi Martins!!!!!!

  2. Rafael Vieira disse:

    Josi, concordo plenamente com o que disse, mas posso te falar uma coisa? Tenho uma curiosidade mórbida com cemitérios, sempre tive, desde pequeno! Com um pouco mais de esclarecimento e, claro, de leitura, tento apaziguar um pouco o preconceito a respeito desses lugares. Um consenso é que todos mencionam sobre a paz das necrópoles, mas o que assusta e afasta são as condições de algumas delas… Complicado…

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