Arquivo de 4 de novembro de 2011

Há alguns meses, o Blog do Insulano esteve na estação das barcas do bairro do Cocotá e encontrou um autêntico cemitério de embarcações. Na verdade, tais veículos eram sucatas e suas peças estavam servindo para as barcas em funcionamento, o que justificava o fato de estarem atracadas no lugar. O problema, como observado anteriormente, é que a água parada acumulada no local é propício foco para o mosquito da dengue, além de demonstrar total descaso das Barcas S/A – concessionária que administra o serviço e é responsável pelo trajeto (Cocotá – Praça XV). A notícia boa é que as barcas, que não estavam sendo capazes de manter-se na superfície, foram removidas e tal comportamento é somente parte do processo de retirada das embarcações deterioradas.

Em setembro, barcas que não conseguiam manter-se na superfície, devido ao estado de degradação.

Somente a barca Visconde de Moraes permanece na estação, mas a administradora antecipa-se e observa que o processo de retirada ocorrerá em, no máximo, 3 meses. Em recente visita ao local, também foi possível perceber que a estação foi remodelada e as placas indicativas foram, quase em sua totalidade, substituídas por outras mais modernas. Outra notícia é que, com o aumento da demanda para o transporte aquaviário, a concessionária está aumentando o número de viagens. Atualmente são 10 viagens diárias em um turno que vai de 06:30h até às 20h. Vale ressaltar que o transporte não funciona aos finais de semana e feriados.

Um mês depois, um visual muito mais limpo. Somente uma barca permanece no local, e já existe prazo para que saia do lugar.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

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Feriado de 02 de novembro, Dia dos Finados, e o Blog do Insulano convida para uma viagem, no mínimo, inusitada. Conforme já mencionado em outras oportunidades, é de conhecimento geral que a única necrópole da Ilha do Governador é localizada no bairro do Cacuia. Mas alguém já ouviu falar que esse não é o primeiro cemitério insulano? Sim, isso é fato, e o post procura esclarecer um pouco mais a respeito! O Cemitério do Cacuia data de Janeiro de 1904 e ocupa mais de um quarteirão de todo o bairro. Os muros são baixos e as sepulturas, por mais macabro que possa parecer, estão ao alcance de tudo e de todos. Como é concentrado numa espécie de planície, a superfície e o tradicional Cruzeiro das Almas do mesmo são facilmente observados desde o portão principal, impondo respeito e silêncio.

No alto da planície, a vista de boa parte da Ilha do Governador e uma comunidade que se desenvolve rapidamente.

Anteriormente, os insulanos mais ricos e provedores da Igreja Católica repousavam no bairro da Freguesia, mais especificamente na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. Conta a lenda que nos dias que antecediam o carnaval, uma lista com os nomes de pessoas marcadas para morrer era fixada nos muros do cemitério, nesse momento já estabelecido no local atual. Os mais antigos afirmam que esse fato foi o grande responsável por extinguir a folia do lugar por anos. O curioso dessa circunstância é que a quadra da escola de samba União da Ilha do Governador é localizada metros a frente! Ainda que o cenário propicie meditação e respeito aos mortos, a curiosidade por vezes assola os mais atentos visitantes: os detalhes são surpreendentes!

Antes da transferência a o local atual, os insulanos eram sepultados da Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda, na Freguesia.

Somente para situar, os cemitérios que se conhece atualmente nada mais são que iniciativas impostas pela higiene pública das metrópoles brasileiras. Ainda durante o império (quase um século antes da inauguração do campo santo da Ilha), os corpos dos mais abastados eram sepultados em igrejas ou, quando muito, em áreas nas adjacências dos templos. Mas em tempos de surtos de doenças contagiosas (como a tuberculose e a Doença de Chagas), a permanência de corpos em locais públicos transformava-se em sérios problemas para a saúde dos cidadãos. Com a modernização das cidades e a crescente população, a solução foi estabelecer locais específicos para as cerimônias fúnebres e o repouso eterno. Assim, criou-se o que hoje se conhece como “cemitério”. O primeiro do Brasil, segundo alguns estudiosos, foi construído em províncias de Pernambuco.

O que se conhece como cemitério atualmente, nada mais é do que uma medida urgente para coibir a proliferação das doenças contagiosas, já que os sepultamentos ocorriam nas igrejas católicas.

Muito antes de conceber esses locais com uma aura funesta e mórbida, as grandes nações estimulam a visitação e chegam a incluir os cemitérios nos roteiros turísticos de suas cidades, como acontece em países como França (Père-Lechaise, Paris), Estados Unidos (Forest Lawn, Los Angeles) e Argentina (Recoleta, Buenos Aires). Na verdade, eximindo-se completamente de preconceitos ou crendices, os lugares são verdadeiros museus a céu aberto, com esculturas de renomados artistas e contos que atravessam séculos. A estrutura que certos jazigos demonstram, por exemplo, são referenciais do quanto a sociedade modernizou-se no decorrer de sua história, além de apresentar os costumes dos habitantes mais antigos. Para tanto, o desafio é simplesmente deixar-se envolver pela rica cultura que qualquer lugar do mundo é capaz de propiciar e manter o respeito pelos que já se foram. Como diz uma placa que recepciona os visitantes do São João Batista: “visite-os antes que você se torne a atração”.

Alguns países no mundo utilizam seus campos santos como mais uma atração turística, verdadeiros museus a céu aberto.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira e foram modificadas através de programa de manipulação de imagens.