Abandono de animais no cemitério do Cacuia é observado com inércia.

Publicado: 27 de outubro de 2011 em Cacuia, Cemitério do Cacuia, Factual, Notícias
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Há algumas semanas a suspeita de envenenamento de centenas de gatos abandonados no Campo de Sant’Ana, no Centro do Rio, trouxe a tona um problema que há anos os insulanos observam de maneira passiva e alheia: o abandono de animais no Cemitério do Cacuia. Tendo a pauta em mãos, o Blog do Insulano compareceu ao local para verificar se, após tantos anos e relatos, o problema permanece. Sem nenhuma surpresa e com extremo pesar, foi fácil identificar, ainda que com o sol a pino e com as cerimônias fúnebres, a presença de animais perambulando entre covas e despachos. Gatos e cachorros circulam democraticamente entre os mortos do Cacuia, transformando o local, desolador por sua própria natureza, em um cenário mórbido, com completo desamparo e descaso.

Os gatos ficam concentrados em um local apelidado de "Palmeirinha", uma árvore no meio dos túmulos.

Segundo relatos de funcionários do local, há alguns anos uma antiga funcionária da cantina do cemitério, Dona Lia, responsabilizava-se de maneira autônoma em cuidar dos animais, ainda que sem verbas ou apoio de terceiros. No início de 2010 Dona Lia falece por conta de complicações cardíacas e, em seu lugar, Dona Marlene, também funcionária da necrópole, assume o posto. “Olha, quem tiver um quilinho de ração pode ajudar a Dona Marlene, qualquer ajuda é muito bem vinda. Alimentar os gatinhos está muito difícil, pois são muitos e, sem castração, reproduzem-se com muita rapidez”, afirma a  dona de casa Laura Abreu, que cuida de 8 felinos oriundos do lugar e mantém um blog com a finalidade de divulgar o problema e encontrar novos donos para os bichos.

Ainda que Dona Marlene cuide muito bem, os bichos são arredios e extremamente desconfiados.

A prática é cultural e presenciada com naturalidade pelos moradores mais próximos. Na lembrança dos casos mais sádicos, afirmam que os despachos realizados no lugar por vezes adotam processos que utilizam requintes de crueldade: “Dona Lia falou, certa vez, que encontrou um galo com as patas, as asas e a cabeça presa com mais de 20 agulhas”, afirma Laura, complementando que, enquanto viva, Dona Lia cuidava dos bichos abandonados em sua própria residência, assumindo o custeio para o tratamento dos mais de 80, gastando uma média de 1.500 reais por mês para mantê-los. Dentre tantos, algumas ainda trazem em seus corpos as marcas da violência: gatos amputados e cachorros portadores de epilepsia completam o fatídico quadro.

* Todas as fotografias presentes no post são de autoria de Rafael Vieira.

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comentários
  1. PC disse:

    Fiquei curioso em ver o Blog da Dona Laura Abreu…

  2. Isso aí, PC, deveria ter mencionado a informação no texto. Mas deixo o link por aqui mesmo (que é somente um dos vários posts que relatam o abandono dos animais no cemitério). Grande abraço!

    >> http://laurabeu-laurabeu.blogspot.com/2010/05/meu-mais-novo-bb-ela-me-adotou-la-no.html

  3. Joana D'Arc disse:

    Realmente hoje em dia o ser humano não respeita nem seus princípios, e acham que abandonando os gatos é o caminho certo mais esquecemos que apesar de parecer pequeno essa atitude pode revelar o caráter de uma pessoa. Rafael vai enfrente vc está fazendo um ótimo trabalho.

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